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quinta-feira, 23 de março de 2017

VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA - De Manuel Bandeira

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Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero 
Na cama que escolherei.
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Vou-me embora pra Pasárgada 
Vou-me embora pra Pasárgada 
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha 
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
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E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei um burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar! 
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
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Em Pasárgada tem de tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Pra gente namorar.
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E quando eu estiver triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der 
Vontade de me matar 
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei 
Vou-me embora pra Pasárgada. 
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Texto extraído do livro"Bandeira a vida inteira", Editora Alumbramento - Rio de Janeiro.
Pesquisa e poetagem: Nicéas Romeo Zanchett 
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