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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
RETRATO PRÓPRIO - Por Bocage. - Nicéas Romeo Zanchett
quarta-feira, 19 de novembro de 2025
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A NELSON por Bocage
Precavendo os vai-e-vens da instável sorte,
E do britano herói zelando a glória,
Sem mancha, sem desar, dá-lo á memória
Pelas ondas fatais jurou Movarte:
Nelson! Raio do sul! Raio do Norte!
Crestas na lide ao galo e ovante história
Do horror a par de ti surge a vitória;
E louros imortais de cinge a morte.
Não com dor, não com ais e trácio nume
No toro funeral te vê lançado,
Em teus olhos extinto e márcio lume;
Vai (diz) folgar no Olimpo, aluno amado;
O triunfo até aqui foi teu costume,
Do que era teu costume eu fiz teu fado.
Pesquisa e postagem: Nicéas Romeo Zanchett
CANÇÃO NOTURNA DE UM VIAJANTE - Por Goethe
Por sobre as cumeeiras
Tudo em descanso jaz,
Nestas regiões cimeiras
Apenas ouvirás
Um bafo, um sopro leve;
Dorme a avezinha em paz...
Espera um pouco, em breve
Também descansarás.
Pesquisa: Nicéas Romeo Zanchett
sexta-feira, 11 de agosto de 2023
A ÚLTIMA ROSA DE VERÃO - Por Tomas Moore
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É a última rosa
Do verão, sozinha;
Nenhuma outra resta
Formosa e vizinha,
Nenhuma irmã sua
Ou botão de rosa
Responde aos suspiros
que exala, formosa.
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Não quero deixar-te
Sozinha a florir:
Tuas irmãs dormem,
Vai também dormir.
Por isso eis que espalho
Tuas folhas no chão,
Onde as irmãs tuas
Já mortas estão.
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Tão breve eu vá quando
Os que amo fugirem,
E do anel do amor
As joias caírem.
Caídos os que ama
No sonho profundo,
Quem habitaria
Sozinho este mundo?
1769
quinta-feira, 3 de agosto de 2023
AS FLORES E OS PINHEIROS - por Machado de Assis
Vi os pinheiros no alto da montanha
Ouriçados e velhos;
E ao sopé da montanha, abrindo as flores
Os cálices vermelhos.
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Contemplando os pinheiros da montanha,
As flores tresloucadas
Zombam deles enchendo o espaço em torno
De alegres gargalhadas.
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Quando o outono voltou, vi na montanha
Os meus pinheiros vivos,
Brancos de neve, e meneando ao vento
Os galhos pensativos.
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Volvi ao sítio onde escutara
Os risos mofadores;
Procurei-as em vão; tinham morrido
As zombeteiras flores.
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Nicéas Romeo Zanchett
LUZ ENTRE SOMBRAS - Por Machado de Assis
É noite medonha e escura,
Muda como o passamento
Uma só no firmamento
Tremula estreita fulgura.
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Fala aos ecos da espessura
A chorosa harpa do vento,
E num canto sonolento
Entre as árvores murmura.
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Noite que assombra memórias,
Noite que os medos convida,
Erma, triste, merencoria.
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No entanto ... minh'alma olvida
Dor que transforma em glória,
Morte que se rompe em vida
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Nicéas Romeo Zanchett
domingo, 9 de julho de 2023
O BEIJO - Por Edmunhom Rostand - Cyrano de Bergerac
O BEIJO
Do Cyrano de Bergerac
Um beijo, mas, fim, que grande coisa é essa?
Jura que de mais perto é jurada, promessa
Mais clara, confissão que quer confirmação.
Ponto róseo no i da palavra paixão,
Segedo que se diz à boa em vez da orelha,
Instante de infinito em sussurro de abelha,
Com resaibo de flor íntima comunhão,
Modo de respirar um pouco e coração,
E de provar um pouco, a flor dos lábios, a alma.
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Nicéas Romeo Zanchett




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