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domingo, 4 de agosto de 2013

MAL SECRETO - Por Raimundo Correa


MAL SECRETO 
Por 
Raimundo Correa 
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Se a cólera que espuma, a dor que mora
N'alma, e destrói cada ilusão que nasce, 
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se esplandesse; 
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Se se pudesse, o espírito que chora, 
Ver através da máscara da face, 
Quanta gente, talvez, que inveja agora 
Nos causa, então piedade nos causasse! 
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Quanta gente que ri, talvez consigo
Guarda um atroz recôndito inimigo, 
Como invisível chaga cancerosa! 
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Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura unica consiste
Em parecer aos outros venturosa!
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BREVE BIOGRAFIA 
Raimundo da Mota Azevedo Correa, poeta brasileiro, nasceu á bordo do vapor São Luis, maranhão, a 13 de maio de 1860. Fez seus estudos na Faculdade de São Paulo, bacharelando-se em direito em 1882. Seguiu a carreira de magistratura até ao cargo de Juiz de direito; foi secretário da ligação brasileira em Portugal, professor da faculdade livre de direito de Minas Gerais, vice-reitor do Ginásio Fluminense de Petrópolis, membro da Academia Brasileira de Letras.  Publicou: Primeiros Sonhos, 1879; poesias, algumas das quais já antes publicadas na Revista de Ciência e Letras; Sinfonias, 1883; Versos e Versões, 1887; Aleluias, 1891. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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segunda-feira, 1 de julho de 2013

LODO DE ESTRELAS - Por Raimundo Correa


LODO DE ESTRELAS 
Por Raimundo Correa

Neste Cáspio sem marulhos, 
Sem macaréus, quieta, quieto,
Em vão brota o lodo infecto 
Só venenosos tortulhos; 
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E despovoa os casebres
Vizinhos, lançando aos ventos
Os miasmas pestilentos
Do carbúnculo e das febres; 
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Em vão sobre ele bafeja
A peste, e, na superfície, 
Boia a nata da imundície
E zumbe a mosca-vareia; 
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Ferve o enxame dos imundos
Vibriões, filhos da lama, 
- deliciosíssima cama
Dos farroupos nauseabundos -
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Pelas margens e por cima
Torpes batráquios, coxeando, 
Sobre o charco pula, quando
Acaso alguém se aproxima...
Em vão; que Deus nos esquece
As coisas mais vis; portanto,
Sobre esse pútrido manto
batendo, o sol resplandece. 
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Nele os olhos azuis cravam 
As estrelas vacilantes, 
Que em águas tais repugnantes, 
Sem repugnância se lavam; 
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E também nela se banha, 
Em horas mortas, a lua, 
Como a Willis toda nua 
das legendas da Alemanha. 
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Nem sempre ela espelha a peste, 
Que às vezes nele os fulgores 
Dos iris e as sete cores
Se estampam do arco celeste. 
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Deus veste a flama sidérea
Na escura e tábida vasa,
E a entranhas infecunda abrasa
Da podridão deletéria! 
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Dá-me a luz, sem convertê-la
Na luz; pois jamais de todo
Deixa o lodo de ser lodo, 
E a estrela de ser estrela!
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Mas basta a luz nele acesa, 
Pra que o barro vil reflita
Daquela flama infinita 
Toda a infinita grandeza. 
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                     BREVE BIOGRAFIA de Raimundo Correa 
                     Raimundo da Mota Azevedo Correa, poeta brasileiro, nasceu a bordo do vapor S. Luiz, na baia de Mogúncia (Maranhão), a 13 de maio de 1860. Fez seus estudos na faculdade de São Paulo, bacharelando-se em direito em 1822. Seguiu a carreira da magistratura até ao cargo de Juiz de direito; foi secretário da legação brasileira em Portugal, professor da faculdade livre de direito de Minas Gerais, vice-reitor do Ginásio Fluminense de Petrópolis, membro da Academia Brasileira de Letras. Publicou: Primeiros Sonhos, 1879, poesias, algumas das quais já publicadas na revista de Ciências e Letras, 1883; Versos e Versões, 1887; Aleluias, 1891. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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